Maranhão
O Paraíso do Mergulho no Parcel Manoel Luís
Textos e Fotos de Antonio Ritter
Conhecer um dos
locais mais interessantes para o mergulho autônomo no Brasil requer, no mínimo,
espírito de aventura, ainda mais quando este lugar fica numa área de difícil acesso e
que apresenta incontáveis problemas técnicos. Mesmo assim resolvi, com um grupo de
mergulhadores, descobrir o fascínio que me aguardava no parcel Manoel Luís, uma
verdadeira cidade submersa de granito e coral. Localizado no litoral oeste do Estado do
Maranhão, a 100 milhas náuticas de São Luís e a 50 milhas da ilha de Lençóis, este
parcel é o maior banco de corais da América Latina, com aproximadamente 18 quilômetros
de extensão.
Transformado recentemente em Parque Estadual Marinho (o
primeiro do Brasil, já que os de Fernando de Noronha e Abrolhos são parques nacionais),
o parcel Manoel Luís não se destaca somente pela beleza da fauna e da flora, mas também
como uma importante reserva biológica. Ele abriga espécies de lagostas, tartarugas,
arraias, tubarões, garoupas e meros, compondo um belíssimo cenário para a nossa
emocionante aventura no fundo do mar.
Mesmo sabendo que
a região não oferecia infra-estrutura adequada a uma expedição de mergulho, resolvemos
sair em busca de aventuras. Nosso grupo contava com oito pessoas (quatro mergulhadores e
quatro marinheiros), todas treinadas para os diversos imprevistos que encontramos pelo
caminho. A viagem até o local de mergulho só pode ser feita em catamarãs e chega a
durar até um dia inteiro, dependendo das condições climáticas. A viagem até o local
de mergulho só pode ser feita em catamarãs e chega a durar até um dia inteiro,
dependendo das condições climáticas.
As
fortes correntezas, que chegam a atingir até 4 nós (um nó é igual a uma milha
marítima por hora), representam o primeiro obstáculo, pois, como é preciso executar um
mergulho de deriva, as ondas levam os homens para longe de seu objetivo. A fim de evitar
este problema, contávamos com um barco de apoio de 18 pés (o nosso barco principal tinha
42 pés - cerca de 14 metros).
Saímos do Iate Clube de São Luís às 13 horas de uma segunda-feira, com céu claro e
tempo bom. Carregávamos cerca de uma tonelada de equipamentos, gêneros alimentícios e o
nosso reboque. Em certos trechos da viagem as ondas de dois metros molhavam o convés,
cobrindo parte da bagagem. Após um dia navegando, avistamos a bóia-farol que marca o
parcel. A sua localização, próximo à linha do Equador, mantém a água sempre morna.
Foram sete dias descendo duas vezes em mergulhos de no máximo 25 minutos.
O
curto tempo deve-se à profundidade do lugar, que obriga a diversas paradas para
descompressão. Na medida do possível descíamos nas melhores horas do dia - entre 10 da
manhã e 2 da tarde - para as filmagens e fotografias, que conseguimos depois transformar
em vídeo sobre esta maravilhosa região coralina. A câmara de vídeo e a máquina
fotográfica são as únicas armas permitidas no parcel Manoel Luís, e, para quem não
tem a chance de ir até lá, restam as imagens colhidas pela expedição. Pode não ser a
mesma coisa que ao vivo, mas ainda assim este recanto se mostra magnífico. |