| Vamos
conversar com o publicitário e produtor de filmes Antonio Ritter. Ele vem nos falar sobre o seu projeto
"Dives Brasil". Uma série de filmes documentários que mostra
dentre muitas coisas, os melhores pontos de mergulho,
em toda a costa Brasileira, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. |
Os locais são muito bonitos, não é Antonio?
- Muito Bonitos... |
Você deve ter feito um
belíssimo trabalho...
- É a gente continua... fizemos dois títulos, serão
dezessete ao todo. O primeiro foi feito na costa do Maranhão no parcel Manoel Luís, que
é a maior formação de corais da América Latina, a quantidade de vida marinha que
existe nesse local é muito grande. O segundo nós fizemos na costa do Ceará, que além
de ter um litoral privilegiado, belíssimo, com muitas dunas, possui também um fundo do
mar muito bonito. |
Acho que vocês fizeram o que todo mundo quer fazer, ou
seja...trabalhar se divertindo. Porque fazer um vídeo desses deve ser uma beleza, local,
tudo...
- É, mas também existe o lado do
sacrifício, o lado de muito trabalho. |
Lógico, sem dúvida nenhuma.
- A gente demora normalmente, seis meses... de cinco a
seis meses para produzir um filme desses. |
Vocês mostram exatamente o quê em um vídeo desses?
- A gente mostra os principais
aspectos culturais e pontos turísticos da região em foco, depois mergulhamos. Não se
trata só de um filme submarino... |
Eu imaginei que era só de mergulho, não é?
- Não, nesse caso a gente mostra
todo o litoral, praias, aspectos culturais, como eu já falei e depois faz um mergulho. |
(Sidney Resende) - Ritter, você que viu os lugares
belíssimos como você acabou de dizer para a Elizabeth Camarão, você acha que há mesmo
condições de se conviver com tais temas de turismo ecológico, sem que vá todo mundo
para lá e suje, destrua? A principio, em tese todo mundo vai dizer que sim, mas
efetivamente como é que poderia ser feito isso. Você tem algo a dizer sobre essa
experiência?
- Sem dúvida... no
Parcel Manoel
Luís mesmo, existe uma proposta para a criação do turismo ecológico lá. E a melhor
forma de controlar isso é educando, conscientizando e
limitatando o fluxo de visitantes para o local.
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Apenas em algumas regiões?
- É, em algumas regiões o número
de visitantes deveria ser limitado. O maior exemplo que temos disso é o Caribe, onde a economia é
basicamente voltada para o turismo e a Austrália que tem a grande barreira de corais, e
não necessariamente existe a destruição de vida nenhuma. Quer dizer, as pessoas vão
para fotografar, conhecer, observar e para filmar. |
(Vera Barroso) - Esse projeto é de quem, Antonio?
- Esse projeto é da minha
empresa. |
Vocês que estão bancando a produção desses
vídeos?
- Sim, mas temos alguns parceiros,
que entram como patrocinadores e aparecem nos vídeos. A gente agora está partindo para a
3ª produção que vai ser no arquipélago de Fernando de Noronha, que é um local
belíssimo.
(Albino Pinheiro ) - Antonio, eu queria perguntar com
que você aprendeu a mergulhar?
- Fiz o curso de mergulho há
uns 12 anos atrás, aqui mesmo no Rio, para ser mais preciso em Cabo Frio. |
Aqui no Brasil já existem escolas de
mergulho?
- Muitas, existem entre 150 a 200 escolas de mergulho
aqui no Brasil. |
Mergulho Profissional?
- Sim e não ao mesmo tempo, na
realidade mergulho profissional é quando você está realizando à atividade
como mergulho em plataformas, etc. e tendo
algum retorno com isso. Como no nosso caso e muitos outros tipos de mergulhadores que
existem. Fazemos um mergulho autônomo, sem ligação física com a superfície,
normalmente não ultrapassamos os 50 metros de profundidade. Depois disso o risco aumenta,
e só vale a pena em casos especiais, como por exemplo algum naufrágio. |
(Sidney Resende) - Se você fosse mais profundo, você
teria equipamento para isso também? Tem de ser algum equipamento adequado?
- Sim, a partir dos 50 metros
usamos uma mistura no cilindro de gases chamada heliox, é uma mistura de hélio e
oxigênio. |
(Albino Pinheiro) - Já surgiu o Jacques
Cousteau
Brasileiro?
- O que é isso... não surgiu e
nem vai surgir. |
Ele é a imagem que todo
mergulhador deve ter como referência.
- Sem dúvida, ele é único e
pioneiro, acho que não só os mergulhadores, a contribuição dele para humanidade tem
sido muito importante. Além disso, tudo que conhecemos sobre o fundo do mar foi graças
aos seus inventos e estudos.
(Sidney Resende)-Quando você mergulha, você mesmo filma?
-Temos uma equipe, mas normalmente
a maioria das vezes eu mesmo que filmo, a não ser quando estou fotografando. |
Quanto tempo vocês conseguem ficar filmando em baixo
d'agua?
-O tempo de fundo, como a gente
fala, ou seja, o tempo de mergulho é inversamente proporcional à profundidade. Quanto
mais fundo você estiver menos tempo você tem para ficar em baixo d'agua. |
(Vera Barroso) - Essa formação, por exemplo que você viu
no Maranhão, você estava a que profundidade?
- Lá no Parcel Manoel Luís, é um
mergulho relativamente profundo, a média é de 35 metros de profundidade, se a pessoa for
ver 35 metros é a altura de um prédio de nove andares. É como se estivesse na cobertura
e descesse até o andar térreo. |
(Albino Pinheiro)-Tem luz ainda razoável?
- Em todos os nossos mergulhos nós
usamos luz artificial, à partir de 7 metros por exemplo o vermelho já desaparece. No
Parcel Manoel Luís no caso existe um certo problema lá, que são as correntezas, lá é
um dos poucos locais do Brasil e do Mundo que pode-se fazer um mergulho chamado
"Drift Dive". Que vem a ser um mergulho de correnteza ou deriva, a gente vai por
baixo d'água sendo levado pela correnteza. Isto tudo é bom lembrar, no caso estamos em
pleno alto-mar. |
(Elizabeth Camarão) - O que as correntezas
desequilibram para os mergulhadores?
-As correntezas são um fator
negativo em alguns casos, em outros ela se torna um aspecto positivo, ou seja, ela oferece
uma maior possibilidade de exploração. Então se a gente mergulha em um local que tem
correnteza existe um risco maior, sem dúvida nenhuma, mas a a variedade e possibilidade
de explorar a região é bem maior e rápida.
Agora vamos ver uns pedacinhos dos vídeos que temos aí,
para ser avaliado melhor o seu trabalho.
- Ótimo! |
O que é aquilo?
- Ali são formações de corais no
parcel Manoel Luís, aqueles peixes são budiões e tem também alguns sargentos, lá tem
uma grande quantidade de vida. |
O fundo do mar é lindo, não é Antonio?
- É fantástico! |
(Albino Pinheiro)-A gente está vendo a 7 metros, não é?
- Não, aí a gente está mais ou
menos a uns 15 metros. |
O azul continua, o vermelho já dançou...
- A gente está usando iluminação
artificial para poder realçar as cores. Aí é um Tubarão Lixa, esse deve ter uns dois
metros e meio de comprimento, mas é muito dócil. |
(Elizabeth Camarão) - Agora Antonio um mergulhador nunca
mergulha sozinho, não é verdade?
- Sem dúvida, sempre acompanhado. |
(Sidney Rezende) - Antonio, quem não conhece mergulho
pensa sempre que um peixe qualquer pode atacar, o que você tem para falar sobre isso?
- A gente conversa já sobre isso. |
Está certo!
- Agora estamos usando iluminação
artificial, pode ver que o vermelho já aparece...A forma desse peixe é muito engraçada,
é um peixe trombeta. Olha aí estamos a mais de 30 metros com iluminação artificial. |
(Elizabeth Camarão) - Muito bonito!
- Então com a iluminação
artificial, podemos ver realmente a cor como ela é. |
Lindíssimo!
- Esse é um peixe frade, como se
chama aqui no Rio, ele é um peixe muito bonito, curioso e dócil. |
Onde se encontra esse vídeo?
- Nas principais locadoras de
vídeos do País, também podem ser encontrados em diversas
lojas e com o distribuidor a Manchete Vídeo. |
A série serão quantos exatamente?
- Serão 17 ao todo que nós
pretendemos lançar aqui no Brasil e exterior. |
Que beleza!
- Agora respondendo a pergunta do
Sidney. Na realidade dificilmente qualquer ser marinho vai atacar sem ser provocado, ele
não vai atrás de você para te comer. Existem alguns ataques que são provocados, se uma
moréia está na sua toca e você meter a mão, obviamente como defesa ela vai te morder. |
(Elizabeth Camarão) - Muito obrigada pela sua
entrevista.
- Foi um prazer. |